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Engenharia de Confiabilidade de Sistemas e Observabilidade: conceitos e estudos de caso

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Introdução Nos dias atuais, empresas dependem cada vez mais de sistemas digitais complexos e distribuídos para conduzir suas operações e entregar valor aos clientes. A confiabilidade desses sistemas é essencial não apenas para evitar interrupções de serviço, mas também para construir relações de confiança com os usuários. A Engenharia de Confiabilidade de Sistemas (SRE) surge como uma abordagem que combina princípios de engenharia de software com operações de TI, focando em manter sistemas funcionais e resilientes mesmo sob condições adversas [1]. Complementar a essa disciplina, a Observabilidade oferece os meios necessários para compreender o estado interno de sistemas através de seus dados de saída. Ela permite identificar problemas de forma proativa, reduzindo o tempo de resposta e promovendo um diagnóstico eficaz. Observabilidade, no contexto de engenharia, é fundamentada nos três pilares principais: métricas, logs e rastreamento [2]. Este artigo tem como objetivo explorar os princ...

Microsserviços: quando e por onde começar

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Visão geral Com o advento da computação em nuvem, conceitos e abordagens arquiteturais de software até então consideradas “estado da arte”, passaram a se tornar padrões fundamentais em projetos de software. Isso porque mais do que simplesmente entregar aplicações como serviço, o que até então tínhamos como requisitos não funcionais tornaram-se premissas básicas na arquitetura de software. Características como elasticidade, adaptabilidade e portabilidade fazem parte deste contexto. Arquiteturas cliente/servidor foram por muito tempo mais do que um modelo arquitetural. Tratava-se do “padrão viável” ante as possibilidades de infraestrutura. O propósito deste artigo (em duas partes) é analisar a arquitetura de software baseada em microsserviços e como tem se dado o roadmap para planejar, desenhar e implementar microsserviços. Motivação: em que momento os microsserviços fazem sentido? A primeira pergunta que fazem normalmente é: qual o momento em que você percebe que sua aplicação monolític...

A tecnologia e a mais nova sensação do verão

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"Não instigarei uma revolução" No episódio 6 da primeira temporada de “Os Simpsons”, Bart escreve no quadro: “Não instigarei uma revolução.” Assim eu espero também fazê-lo neste texto, especialmente em falar de algo que a sociedade ama exaltar com entusiasmo: a tecnologia. “Como assim? Senti um tom irônico agora, Diego…” Absolutamente! Vamos por partes. Os Simpsons é uma série de animação norte-americana criada por Matt Groening em 1989. Para quem não sabe (onde você esteve?), a série é o retrato de uma família formada por Homer, Marge, Maggie, Bart e Lisa. Em suas inúmeras temporadas desde o seu lançamento, Os Simpsons são sempre lembrados por uma capacidade quase que sobrenatural: prever o futuro. Trump presidente dos EUA, o Brasil tomando uma surra da Alemanha na final da Copa do Mundo, autocorretores de texto, levantes de fraudes em processos eleitorais, impressoras 3D, entre tantas outras, várias foram as predições bem sucedidas feitas pela série em seus episódios. A mai...

As Três Leis Fundamentais da Ciência da Computação por Carlos Diego

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O escritor russo-americano, Isaac Asimov, foi um prolífico autor de ficção científica, assim como de obras científicas, como “Eu, Robô” e “Manual de Robótica”. Em sua obra, Asimov idealizou as “Três Leis da Robótica”. Tratam-se de regras ou princípios a fim de permitir o controle e limitar os comportamenos dos robôs. As três diretivas descrevem que: 1ª Lei: Um robô não pode ferir um ser humano ou, por inação, permitir que um ser humano sofra algum mal. 2ª Lei: Um robô deve obedecer às ordens que lhe sejam dadas por seres humanos, exceto nos casos em que entrem em conflito com a Primeira Lei. 3ª Lei: Um robô deve proteger sua própria existência, desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira ou Segunda Leis. Isaac Asimov em 1965 Nas aulas que ministro na graduação de Ciência da Computação da  CESAR School , procuro sempre correlacionar os conhecimentos práticos e técnicos das disciplinas, com a essência dos seus fundamentos, mostrando o porquê das coisas, ou, como diria...

A trajetória da Valcann

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Em 2014, eu concluia meu mestrado em Ciências da Computação pelo Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Naquela oportunidade, me aprofundava na pesquisa e desenvolvimento de uma nova tecnologia de nuvem privada, que despontava no mercado: Openstack. Paralelamente às minhas atividades acadêmicas e profissionais, desenvolvi uma oferta de entrega de aplicações de negócios (ERP) baseadas em SaaS tendo como base o Openstack. Ali nascia a Valcann! Anderson, Bruno, Renato, Diego, Leandro e Charles O investimento na camada de hardware era alto e buscar investimento no mercado não era uma opção. Então, entre conversas casuais com meu amigo dos tempos de colégio, Renato Andrade, resolvi convidá-lo a investir no novo negócio. Renato topou e me ajudou a financiar o que seria a aquisição da infraestrutura para buscar mais clientes. Na medida em que novos clientes eram captados, cuidar de toda a cadeia se mostrava cada vez mais desafiador. Até que em 2016, resolvi descon...

O efeito Dunning-Krugger no processo de aprendizagem da Ciência da Computação

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Do começo... Eventualmente, sou questionado por algum colega de profissão se eu já senti — ou sinto — aquela sensação de que quanto mais estudamos sobre uma tecnologia, mais sentimos que não sabemos nada sobre ela. Essa sensação é muito comum em profissionais e estudantes de Ciência da Computação, em especial quando do processo de aprendizado de alguma nova tecnologia ou disciplina. Talvez pela natureza dessa área de estar em constante mudança e, por consequência, requerer o estudo e atualização contínua. Dunning-Krugger definiram essa sensação como o “Vale do Desespero” [Imagem 1]. Imagem 1 — Vale do Desespero, Efeito Dunning-Krugger [1] Os efeitos do desconhecimento Em “Unskilled and Unaware of It: How Difficulties in Recognizing One’s Own Incompetence Lead to Inflated Self-Assessments” [1], os pesquisadores Justin Krugger e David Dunning estudaram como se dá o processo de reconhecimento de habilidades e como isso é parte relevante no aprimoramento e desenvolvimento em qualquer campo...